sábado, 26 de agosto de 2017

Hoje e como sempre, (ainda) cá estou. Eu, os meus cigarros e o meu copo de vinho. Refugiada em pensamentos e divagações enquanto refletia numa passagem de um livro da minha querida Margarida Rebelo Pinto...


 "Há momentos na vida em que pensas que o mundo à tua volta se vai transformar num desastre natural que te pode tirar de casa para sempre. Como se tudo se erguesse e rodopiasse: os móveis, as cortinas, as cadeiras. Estás no centro do caos e não adianta nem fugir, nem ficar imóvel. Uma força superior e devastadora vai levar-te pelos ares como o ciclone fez à casa da Dorothy. Mas o caminho que te espera não é uma estrada de tijolos amarelos, nem tens como companhia um leão sem coragem, um homem de lata sem coração e um espantalho sem cabeça. O teu fiel amigo Totó não ladra a estranhos nem te protege das fadas más. E se pegares num balde de água para neutralizar a Bruxa Má do Oeste, ela não encolhe. Pelo contrário. Vai aumentando mais e mais a cada dia que passa. No fim da tua história só tens solidão, destruição e caos. Quando regressas à realidade, o que tens à tua frente é um muro do tamanho da muralha da china." 



Subscrevo.

sábado, 6 de maio de 2017

“A realidade muda, às vezes muito devagar, outras, a uma velocidade vertiginosa. Não estava preparada para isto. A vida é mesmo assim: nunca muda quando pensamos, mas um dia muda mesmo e, quando damos por isso, o jogo virou e perdemos o que tínhamos. Ganhar e perder fazem parte da vida e da morte, tal como a glória e a tristeza, a luz e as sombras.” 
MRP

sábado, 8 de abril de 2017

As saudades começam apertar. Cada " tenho saudades tuas", "quando voltas?", "quando vens mana?" está lentamente a matar-me. Cada "gostava que estivesses aqui" está a tornar-se mais doloroso do que eu alguma vez pensei. Só quando perdemos é que damos valor. Falo por mim. Quando ainda me "desleixava" e achava que tinha sempre tempo para toda a gente podia realmente fazê-lo. Hoje, aguardo cada instante. Cada milésima de segundo para conseguir abraçar o mundo todo. Realmente há circunstancias na vida que nos fazem crescer e ver o mundo de outra forma. Gostava tanto de ter conseguido prever tudo isto e ter aproveitado (ainda) mais cada minuto. Hoje estou aqui, sozinha e a chorar cada minuto que o relógio avança a contar o tempo que falta para poder ouvir cada história que tenho perdido.
Falhei e tenho falhado todos os dias. Estou longe e afastei-me automaticamente mas sem querer de tudo e todos. Sinto-me vazia e sinto que todo o amor que conquistei tenho perdido. Têm sido a batalha mais difícil de todos os tempo. Suportar a dor da ausência de cada amor que me sustenta e suportar todo este peso no coração. 
Queria estar como sempre estive, queria nunca falhar, queria ser um exemplo mas tenho sido tudo menos isso. Falho contentemente quando evito situações. Esta não sou eu. Sou eu, sim mas inevitavelmente alterada por circunstâncias da vida que me ultrapassam.
Sinto tantas saudades. Não matam mas têm corroído da uma forma avassaladora. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Do 0

E de repente passamos de meninas a mulheres. Uma vida começa agora, cheia de contra-sensos e sem saber o porque disto tudo ter acontecido. De repente é sexta feira e eu deparo-me numa cidade completamente desconhecida por razões que só a razão desconhece. Com segredos e tragédias de mãos dadas a este novo começo. Sem um porquê explicável... Quando me perguntam o porque da mudança. Só eu sei. Só eu carrego comigo a dor da questão que me tem atormentado as minhas noites, o motivo das insónias constantes e maldosas que insistem em persistir. 
Foi preciso. Foi necessario e inevitável. E aqui estou, sozinha a caminhar num mundo desconhecido e surreal. Eu e os meus cigarros, continuamos a caminhar para um dia melhor e sem maus presságios. Sem guerras. Porque é isso mesmo, vim à procura de paz. De conforto. De serenidade. Só desejo que tudo isto me transforme naquilo que eu não quero ser, me transforme e molde da melhor forma possível. Preciso de sonhar com finais felizes. Preciso.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Para onde?


De repente já sexta-feira, as coisas continuam num estado lastimável e a mágoa permanece. Provavelmente nunca desaparecerá, afinal, algo tão trágico não se esquece. Foi uma sensação de perda nunca imaginada por ninguém, por ninguém. E mais uma vez, dedico-me ás lágrimas, a assistir ao meu fim lentantamente. Vou desabando a cada passo, a cada dia, e nunca chego a perceber o que realmente está acontecer tão repentinamente e ao mesmo tempo de uma forma tão lenta. Um buraco, um refúgio, um lugar mágico onde pudesse esquecer o drama que tenho vivido,.. Talvez sejam os últimos dias que me restam, da forma como tudo tem sucedido ponho em causa, mais uma vez, a minha vida.
Nunca ninguém vai conseguir entender o que se passa na minha cabeça por muito que insistam que realmente entendem. Afinal, nunca ninguém viveu o que eu já vivi, e mesmo que sim, cada um sente as coisas de forma diferente, e sim, nesse aspeto fraquejo com uma monotonia incontrolável. Gostava de ser destemida e forte, não baixar os braços e nunca ter vontade de desistir mas, o que é certo é que dentro de mim tudo gira a uma velocidade astronómica, faço de uma adversidade mil. Vem de mim, do que sou, das experiencias que vivi, do que já assisti e há factos que não se alteram, só se fincam cada vez mais dentro de nós como raízes, cada vez mais profundas. Porque é que têm que ser assim?
Vou abandonar o barco, afinal, tudo se compõe com água fria. Se calhar é disso que preciso, de mais um balde de água fria... Neste momento atirava-me ao mar, afinal ele é surdo e fatal. Não me pode criticar, não me pode julgar pelo meu ato, não pode fazer com que volte a trás. Talvez seja mesmo da água do mar que precise. E os talvez predominam tal como a minha sede de desaparecer.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Um dia partiste e agora? Agora onde estás?


Todos têm o seu lado de ver a tua partida. Uns ainda choram de cada vez que se fala em ti, outros mostram-se fortes ainda que o seu coração esteja em cacos, uns oram por ti em todas as suas orações, outros lembram-se de ti à sua própria maneira, mas todos concordamos numa coisa, que, estejas onde estiveres, és a estrela mais bonita do horizonte, a estrela com um brilho mais intenso do que todas as outras e todos queremos no fundo acreditar que a tua partida foi apenas terrena pois nunca partirás dos nossos pensamentos e corações, todos acreditamos que és agora o nosso anjo da guarda, o anjo que nos guarda e nos guia sejam quais forem as nossas escolhas e trilhos percorridos.
Se eu pudesse um dia pedir um desejo desejava ver-te mais uma vez para te abraçar de novo, para poder ser-se feita a despedida que ficou por fazer e para te dizer uma última vez o quanto te amo, o quanto lamento que as circunstâncias da vida te tenham levado de mim.
Ninguém imagina a falta que me fazes, o quanto sou amargurada por já não te ter aqui comigo, por não poder contar-te as minhas histórias e aventuras, por não poder partilhar contigo todas as minhas conquistas e todos os momentos importantes da minha vida como fazíamos sempre, ninguém consegue fazer ideia do quanto ainda me dói a ferida entreaberta que a tua ida deixou no meu coração, ninguém sabe as vezes todas que choro por já não te poder ver. Já 3 anos se passaram e podem passar mais 20, 30 ou 100 que eu nunca saberei lidar com a falta que me fazes, apenas tento conviver com isso e manter-me firme e forte. Eras a melhor pessoa que havia no mundo e agora resta-me a lembrança, eras o meu melhor amigo, um dos melhores seres humanos que conheci, eras uma das mais importantes partes de mim e agora resta-me saber viver sem ter esse pedaço que foi retirado de mim, como que se tivessem rasgado um pedaço do meu coração.
Estejas onde estiveres acredito que me ouves de todas as vezes que falo contigo, que lês todos os textos que tão docilmente te escrevo, desejo que isso possa ser verdade, que, já que não te tenho aqui sentado na tua habitual cadeira onde me ouvias, tu possas ler e ouvir tudo o que tenho para te dizer, que me possas ver crescer e que troças pelo meu futuro, que me guies pelos melhores caminhos e quando eu cair que possas ser a força que me ajuda a levantar. Espero que vás acompanhado todas as minhas lutas, assistindo a todas as minhas vitórias e que te orgulhes de mim pois não me perdoaria se te desiludisse.
Meu querido avô, eu amo-te com o amor mais puro de todos e sempre assim será. Volta.



 

Não tenhas medo da luz acesa

 Ele saiu da banheira repentinamente, de forma acrobática, deu uma volta rápida de 180º e saiu a fazer um Moonwalk para que eu não pudesse olhar directamente para o seu corpo.
 Num piscar de olhos, conseguiu esconder a sua parte mais linda atrás de uma toalha. Sim, eu sei que mesmo depois de alguns meses juntos, momentos bem passados, garrafas de vinho extintas e os nossos suores misturados, ela ainda tem vergonha de mim e, infelizmente, não consegue livrar-se do medo que tem de expor as suas características humanas aos meus olhos, não menos humanos.
 
 Pois fica a saber que, muitas vezes, privas-me dos teus melhores ângulos como se eu fosse um crítico rasca de um programa de TV e, a qualquer momento, fosse tirar do bolso uma placa com a nota zero, para assim te humilhar e te fazer sair do palco a engolir o choro.
 Quero que saibas, de uma vez por todas, que eu sempre aplaudirei os teus passos ensaiados e que não deixarei de te amar nem um bocadinho, nas tantas vezes que ainda irás tropeçar e cair como qualquer pessoa faz.
Pelo contrário, vou sempre levantar-te pelos pulsos e, quando isso não for possível, vou atirar-me ao chão junto a ti para rirmos da vida deitados na alcatifa.
 Porque gosto mesmo quando tu abandonas o guião e não percebes que tens o cantinho da boca sujo. Adoro quando nos teletransportamos dos bares diretamente para o sofá e quando lá te deixo, realizada e feliz verifico sempre a tua respiração junto ao meu ouvido antes de ir embora.
 Quero que saibas agora, e não amanhã, o quanto eu te acho bonito mesmo quando fazes caretas.
Não tens ideia de como eu ficaria feliz se tu, pelo menos uma vez, relaxasses e soltasses a barriga enquanto comemos batatas fritas e bebemos vinho sentados no chão manchado pelas nossas memórias. Eu não tenho nada contra as tuas dobrinhas e espero que tu também não temas a minha barriga nem as minhas ausências ao ginásio.
Adoraria que tu te esquecesses de pedir para desligar a luz e me permitisses devorar com os olhos cada cantinho teu – porque, afinal, se estou contigo agora, significa que é contigo que quero estar e que te acho incrível do jeito que tu és.

 

E é óbvio que aquela camisa branca me deixa louca só de olhar, mas peço que uses mais vezes aquela roupa super confortável, e sabes porquê?
Porque o teu bem-estar também me deixa excitada e porque adoro saber que na minha frente, em cima de mim, ao meu lado e comigo, tu te sentes realmente livre para ser humano e para te despires de verdade, não apenas as roupas, mas também essa desnecessária vontade de parecer perfeito.