terça-feira, 13 de novembro de 2018

A ansiedade não se vê, não se toca. Mas sente-se.


"A ansiedade é uma farsa."

"É fita para chamar a atenção."

"É uma desculpa das pessoas fracas para justificarem essa mesma fraqueza."

Quantas vezes ouvimos estes comentários?

Ou quantas vezes sentimos que era o que ía na cabeça das pessoas à nossa volta quando se tocava no assunto?

Aliás, quantas vezes nós próprias pensámos e dissemos estas mesmas coisas, antes de vivermos na primeira pessoa esta realidade?

A ansiedade não se vê, não se toca. Mas sente-se.

Escondemo-la de toda a gente (por vezes até de nós mesmas) porque não queremos assumir perante os outros que não estamos bem... Não vão eles pensar que ficámos maluquinhas.

O que é que o nossa chefe, os nossos colegas, a nossa família, os nossos amigos iriam pensar?! E chegamos à conclusão de que talvez seja melhor aceitar que vamos ter de viver assim. Sentirmo-nos tristes, angustiadas e acordar com um aperto no peito, tantas vezes sem motivo aparente.

Sentir que falta o ar, como se de repente tivéssemos desaprendido a respirar. Sentir um vazio, e um emaranhado de emoções e pensamentos que transbordam, tudo ao mesmo tempo.

Fazer de conta. Que estamos bem. Que está tudo bem.

Quantas de nós não passámos por tudo isto?

E quantas de nós não procurámos comforto imediato em dias a fio passados no sofá ou na cama, tentando esquecer que existe um Mundo lá fora? Quantas de nós depende de ansioliticos para adormecer, literalmente, a vida no exterior da nossa zona de conforto?


A solução não está, nunca estará, nesses pensos rápidos. As feridas vão continuar cá dentro, e enquanto tentarmos negá-las elas vão abrir cada vez mais, doer cada vez mais.

Eu sei que a ansiedade e a depressão continuam a ser um tema tabu e receamos ser alvo de represálias caso as assumamos.

E a verdade é que se não se sentirem preparadas para as assumir perante o Mundo, não têm de o fazer. Está tudo bem, mesmo!

Mas não neguem para vocês mesmas. Não procurem o alívio imediato.

Procurem ajuda. E vençam esse monstro, um dia de cada vez.

Porque nós não somos maluquinhas.

Apenas queremos ser felizes.  

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Sobre a ansiedade...

Ansiedade... Sempre fui uma miúda ansiosa. Ainda na escola primária, quando sabia que ia ter um teste no dia seguinte, ficava doente, com febre, dores de barriga, vómitos. No início deixava a minha mãe aflita, por não saber o que se passava comigo, mas com o tempo ela acabou por perceber que era o meu corpo a reagir ao enorme stress e ansiedade que sentia dentro de mim.


Esta ansiedade, este sofrer por antecipação, este medo avassalador de falhar, acompanharam-me desde então e deram origem a vários ataques de pânico (que em tempos subestimei, achando que era fita, mas que quando senti pele percebi que é das piores sensações que podemos ter). Muitas vezes acordo em sobressalto, com um vazio inexplicável no peito. Custa-me respirar. Não consigo falar sem desatar a chorar. Sinto-me doente, fraca, sem energia.
Nestes dias, parece que nada mais faz sentido e coloco tudo em causa: quem sou, o que quero, o que preciso.
Quero apenas ficar no meu canto, sem ver ninguém, sem falar com ninguém. E só sair dali quando o coração parar de doer.


Sofri (ainda sofro) muito nestes momentos, e pelo meu bem-estar físico e emocional precisei de recorrer a algumas estratégias (nem sempre as melhores) que me ajudem a restabelecer o meu equilíbrio quando a ansiedade se apodera de mim. 


Não é fácil sentir que as pessoas à nossa volta não nos compreendem. Não é fácil ouvir "Tem calma, "Estás a exagerar", "Vai tudo correr bem". Não, na nossa cabeça não vai tudo correr bem, não estamos a exagerar e tudo o que menos nos apetece é ter calma.


Por muito que tentemos explicar o que sentimos parece que ninguém compreende esta angústia, esta culpa, esta insegurança, esta ansiedade constante que nos faz passar noites em branco, e nos faz acreditar que nunca conseguiremos ser felizes.

Também sei que às vezes parece mais simples não dizermos nada. Sorrirmos e fazermos de conta que está tudo bem, quando na verdade nos sentimos vazias por dentro. Ficarmos escondidinhas na nossa concha, à espera de acordar e perceber que tudo isto não passou de um pesadelo.  
Há guerras que, por mais fortes que sejamos, não conseguiremos vencer sozinhas, e não temos que sentir vergonha por estarmos a passar por um momento menos bom e precisarmos de ajuda, independentemente de qual for: amigos, família, namorados, colegas, psicólogos, psiquiatras, medicação adequada e prescrita por profissionais.

Estamos juntos.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Tudo o que é o amor



É muito fácil imitiar o amor. Vivemos rodeados de imagens e sufocados por músicas que nos apelam constantemente para cenários idílicos, casais perfeitos, comédias românticas em que o amor vence sempre a vida, ou amores perdidos que nos roubaram o coração em canções de qualquer época. O amor é um dos nossos motores de vida, quem vive sem ele seca como uma árvore sem água, quem vive sufocado nele pode afogar-se em mágoas ou na espuma dos dias.
 O amor verdadeiro dá muito trabalho. É como um full time job sem folgas aos fins-de-semana e sem ordenado no final do mês. É estar lá para o outro, tanto nos dias em que amamos, como nos dias em que estamos fartos dele. O amor não é feito de palavras nem de grandes gestos românticos, mas de provas. Não é abstacto, nem transmissível: se amamos uma determinada pessoa não podemos passar esse amor para outra. Temos de deixar de amar a anterior, esquecer, e recomeçar do zero, senão não é amor, é uma fuga para a frente, uma transferência afectiva,uma solução fácil e práctica, e tudo isto são imitações do amor.
 Talvez a lição mais difícil de aprender acerca do amor seja que o amor não se aprende. Treina-se com o tempo, apura-se com a maturidade, mas não se aprende, porque ou o temos dentro de nós ou não o temos, e quem o tem quase nunca o domina. Podemos saber o que seria certo fazer, mas nem sempre o fazemos.Podemos errar, mesmo quando não queremos. Podemos tratar mal aqueles que amamos sem nos apercebermos. Mas quem ama perdoa ainda que não esqueça, quem ama segue em frente, quem ama não se agarra a desculpas, arregaça as mangas e não desiste, porque o verdadeiro amor é o avesso do medo e a vontade o seu maior aliado.
 Amar é proteger, é acreditar, é construir, é sonhar com os pés na terra. Amar é planear. E depois trabalhar em conjunto para que os planos e os sonhos se realizem. Nenhum amor sobrevive sem construção, recosta á sombra da bananeira, porque cada história de amor tem a sua própria vida, a tal terceira entidade na qual tanto acredito. Se não cresce e se desenvolve, se não se transforma nem amadurece, acaba por morrer. Para construir, é preciso acreditar. MRP

sábado, 26 de agosto de 2017

Hoje e como sempre, (ainda) cá estou. Eu, os meus cigarros e o meu copo de vinho. Refugiada em pensamentos e divagações enquanto refletia numa passagem de um livro da minha querida Margarida Rebelo Pinto...


 "Há momentos na vida em que pensas que o mundo à tua volta se vai transformar num desastre natural que te pode tirar de casa para sempre. Como se tudo se erguesse e rodopiasse: os móveis, as cortinas, as cadeiras. Estás no centro do caos e não adianta nem fugir, nem ficar imóvel. Uma força superior e devastadora vai levar-te pelos ares como o ciclone fez à casa da Dorothy. Mas o caminho que te espera não é uma estrada de tijolos amarelos, nem tens como companhia um leão sem coragem, um homem de lata sem coração e um espantalho sem cabeça. O teu fiel amigo Totó não ladra a estranhos nem te protege das fadas más. E se pegares num balde de água para neutralizar a Bruxa Má do Oeste, ela não encolhe. Pelo contrário. Vai aumentando mais e mais a cada dia que passa. No fim da tua história só tens solidão, destruição e caos. Quando regressas à realidade, o que tens à tua frente é um muro do tamanho da muralha da china." 



Subscrevo.

sábado, 6 de maio de 2017

“A realidade muda, às vezes muito devagar, outras, a uma velocidade vertiginosa. Não estava preparada para isto. A vida é mesmo assim: nunca muda quando pensamos, mas um dia muda mesmo e, quando damos por isso, o jogo virou e perdemos o que tínhamos. Ganhar e perder fazem parte da vida e da morte, tal como a glória e a tristeza, a luz e as sombras.” 
MRP

sábado, 8 de abril de 2017

As saudades começam apertar. Cada " tenho saudades tuas", "quando voltas?", "quando vens mana?" está lentamente a matar-me. Cada "gostava que estivesses aqui" está a tornar-se mais doloroso do que eu alguma vez pensei. Só quando perdemos é que damos valor. Falo por mim. Quando ainda me "desleixava" e achava que tinha sempre tempo para toda a gente podia realmente fazê-lo. Hoje, aguardo cada instante. Cada milésima de segundo para conseguir abraçar o mundo todo. Realmente há circunstancias na vida que nos fazem crescer e ver o mundo de outra forma. Gostava tanto de ter conseguido prever tudo isto e ter aproveitado (ainda) mais cada minuto. Hoje estou aqui, sozinha e a chorar cada minuto que o relógio avança a contar o tempo que falta para poder ouvir cada história que tenho perdido.
Falhei e tenho falhado todos os dias. Estou longe e afastei-me automaticamente mas sem querer de tudo e todos. Sinto-me vazia e sinto que todo o amor que conquistei tenho perdido. Têm sido a batalha mais difícil de todos os tempo. Suportar a dor da ausência de cada amor que me sustenta e suportar todo este peso no coração. 
Queria estar como sempre estive, queria nunca falhar, queria ser um exemplo mas tenho sido tudo menos isso. Falho contentemente quando evito situações. Esta não sou eu. Sou eu, sim mas inevitavelmente alterada por circunstâncias da vida que me ultrapassam.
Sinto tantas saudades. Não matam mas têm corroído da uma forma avassaladora. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Do 0

E de repente passamos de meninas a mulheres. Uma vida começa agora, cheia de contra-sensos e sem saber o porque disto tudo ter acontecido. De repente é sexta feira e eu deparo-me numa cidade completamente desconhecida por razões que só a razão desconhece. Com segredos e tragédias de mãos dadas a este novo começo. Sem um porquê explicável... Quando me perguntam o porque da mudança. Só eu sei. Só eu carrego comigo a dor da questão que me tem atormentado as minhas noites, o motivo das insónias constantes e maldosas que insistem em persistir. 
Foi preciso. Foi necessario e inevitável. E aqui estou, sozinha a caminhar num mundo desconhecido e surreal. Eu e os meus cigarros, continuamos a caminhar para um dia melhor e sem maus presságios. Sem guerras. Porque é isso mesmo, vim à procura de paz. De conforto. De serenidade. Só desejo que tudo isto me transforme naquilo que eu não quero ser, me transforme e molde da melhor forma possível. Preciso de sonhar com finais felizes. Preciso.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Para onde?


De repente já sexta-feira, as coisas continuam num estado lastimável e a mágoa permanece. Provavelmente nunca desaparecerá, afinal, algo tão trágico não se esquece. Foi uma sensação de perda nunca imaginada por ninguém, por ninguém. E mais uma vez, dedico-me ás lágrimas, a assistir ao meu fim lentantamente. Vou desabando a cada passo, a cada dia, e nunca chego a perceber o que realmente está acontecer tão repentinamente e ao mesmo tempo de uma forma tão lenta. Um buraco, um refúgio, um lugar mágico onde pudesse esquecer o drama que tenho vivido,.. Talvez sejam os últimos dias que me restam, da forma como tudo tem sucedido ponho em causa, mais uma vez, a minha vida.
Nunca ninguém vai conseguir entender o que se passa na minha cabeça por muito que insistam que realmente entendem. Afinal, nunca ninguém viveu o que eu já vivi, e mesmo que sim, cada um sente as coisas de forma diferente, e sim, nesse aspeto fraquejo com uma monotonia incontrolável. Gostava de ser destemida e forte, não baixar os braços e nunca ter vontade de desistir mas, o que é certo é que dentro de mim tudo gira a uma velocidade astronómica, faço de uma adversidade mil. Vem de mim, do que sou, das experiencias que vivi, do que já assisti e há factos que não se alteram, só se fincam cada vez mais dentro de nós como raízes, cada vez mais profundas. Porque é que têm que ser assim?
Vou abandonar o barco, afinal, tudo se compõe com água fria. Se calhar é disso que preciso, de mais um balde de água fria... Neste momento atirava-me ao mar, afinal ele é surdo e fatal. Não me pode criticar, não me pode julgar pelo meu ato, não pode fazer com que volte a trás. Talvez seja mesmo da água do mar que precise. E os talvez predominam tal como a minha sede de desaparecer.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Um dia partiste e agora? Agora onde estás?


Todos têm o seu lado de ver a tua partida. Uns ainda choram de cada vez que se fala em ti, outros mostram-se fortes ainda que o seu coração esteja em cacos, uns oram por ti em todas as suas orações, outros lembram-se de ti à sua própria maneira, mas todos concordamos numa coisa, que, estejas onde estiveres, és a estrela mais bonita do horizonte, a estrela com um brilho mais intenso do que todas as outras e todos queremos no fundo acreditar que a tua partida foi apenas terrena pois nunca partirás dos nossos pensamentos e corações, todos acreditamos que és agora o nosso anjo da guarda, o anjo que nos guarda e nos guia sejam quais forem as nossas escolhas e trilhos percorridos.
Se eu pudesse um dia pedir um desejo desejava ver-te mais uma vez para te abraçar de novo, para poder ser-se feita a despedida que ficou por fazer e para te dizer uma última vez o quanto te amo, o quanto lamento que as circunstâncias da vida te tenham levado de mim.
Ninguém imagina a falta que me fazes, o quanto sou amargurada por já não te ter aqui comigo, por não poder contar-te as minhas histórias e aventuras, por não poder partilhar contigo todas as minhas conquistas e todos os momentos importantes da minha vida como fazíamos sempre, ninguém consegue fazer ideia do quanto ainda me dói a ferida entreaberta que a tua ida deixou no meu coração, ninguém sabe as vezes todas que choro por já não te poder ver. Já 3 anos se passaram e podem passar mais 20, 30 ou 100 que eu nunca saberei lidar com a falta que me fazes, apenas tento conviver com isso e manter-me firme e forte. Eras a melhor pessoa que havia no mundo e agora resta-me a lembrança, eras o meu melhor amigo, um dos melhores seres humanos que conheci, eras uma das mais importantes partes de mim e agora resta-me saber viver sem ter esse pedaço que foi retirado de mim, como que se tivessem rasgado um pedaço do meu coração.
Estejas onde estiveres acredito que me ouves de todas as vezes que falo contigo, que lês todos os textos que tão docilmente te escrevo, desejo que isso possa ser verdade, que, já que não te tenho aqui sentado na tua habitual cadeira onde me ouvias, tu possas ler e ouvir tudo o que tenho para te dizer, que me possas ver crescer e que troças pelo meu futuro, que me guies pelos melhores caminhos e quando eu cair que possas ser a força que me ajuda a levantar. Espero que vás acompanhado todas as minhas lutas, assistindo a todas as minhas vitórias e que te orgulhes de mim pois não me perdoaria se te desiludisse.
Meu querido avô, eu amo-te com o amor mais puro de todos e sempre assim será. Volta.



 

Não tenhas medo da luz acesa

 Ele saiu da banheira repentinamente, de forma acrobática, deu uma volta rápida de 180º e saiu a fazer um Moonwalk para que eu não pudesse olhar directamente para o seu corpo.
 Num piscar de olhos, conseguiu esconder a sua parte mais linda atrás de uma toalha. Sim, eu sei que mesmo depois de alguns meses juntos, momentos bem passados, garrafas de vinho extintas e os nossos suores misturados, ela ainda tem vergonha de mim e, infelizmente, não consegue livrar-se do medo que tem de expor as suas características humanas aos meus olhos, não menos humanos.
 
 Pois fica a saber que, muitas vezes, privas-me dos teus melhores ângulos como se eu fosse um crítico rasca de um programa de TV e, a qualquer momento, fosse tirar do bolso uma placa com a nota zero, para assim te humilhar e te fazer sair do palco a engolir o choro.
 Quero que saibas, de uma vez por todas, que eu sempre aplaudirei os teus passos ensaiados e que não deixarei de te amar nem um bocadinho, nas tantas vezes que ainda irás tropeçar e cair como qualquer pessoa faz.
Pelo contrário, vou sempre levantar-te pelos pulsos e, quando isso não for possível, vou atirar-me ao chão junto a ti para rirmos da vida deitados na alcatifa.
 Porque gosto mesmo quando tu abandonas o guião e não percebes que tens o cantinho da boca sujo. Adoro quando nos teletransportamos dos bares diretamente para o sofá e quando lá te deixo, realizada e feliz verifico sempre a tua respiração junto ao meu ouvido antes de ir embora.
 Quero que saibas agora, e não amanhã, o quanto eu te acho bonito mesmo quando fazes caretas.
Não tens ideia de como eu ficaria feliz se tu, pelo menos uma vez, relaxasses e soltasses a barriga enquanto comemos batatas fritas e bebemos vinho sentados no chão manchado pelas nossas memórias. Eu não tenho nada contra as tuas dobrinhas e espero que tu também não temas a minha barriga nem as minhas ausências ao ginásio.
Adoraria que tu te esquecesses de pedir para desligar a luz e me permitisses devorar com os olhos cada cantinho teu – porque, afinal, se estou contigo agora, significa que é contigo que quero estar e que te acho incrível do jeito que tu és.

 

E é óbvio que aquela camisa branca me deixa louca só de olhar, mas peço que uses mais vezes aquela roupa super confortável, e sabes porquê?
Porque o teu bem-estar também me deixa excitada e porque adoro saber que na minha frente, em cima de mim, ao meu lado e comigo, tu te sentes realmente livre para ser humano e para te despires de verdade, não apenas as roupas, mas também essa desnecessária vontade de parecer perfeito.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O desespero é incontrolável. O caminha é escuro e longo. Não existem migalhas no chão para que me guiem, somente existe uma estrela. A minha estrela.
Incontornável é a vontade que eu tenho de explodir e rever-me em cinzas. O tempo é vago e a luz ao fundo do túnel vai reduzindo conforme o meu estado débil. Vou tentando que a luz não perca a intensidade para que um dia eu me decida levantar de vez, mas sei que posso chegar tarde demais. Os joelhos começam-se a ressentir e pedem para que utilize as pernas para começar de novo, contudo o cérebro não deixa. O coração não permite e a minha alma não aguenta. Numa altura em que tudo é tão frio e sólido a solidão consegue transparecer como a minha mão de baixo de água. E eu, sem conseguir combate-la. Insisto desesperadamente, mas acabo por perder esta batalha diariamente. Ainda não desisti, mas pouco faltará.

domingo, 8 de março de 2015

Última Conversa (ou não)


Se eu fechar os olhos com força sinto o teu perfume inundar a minha zona de conforto, vejo o teu sorriso e os teus olhos escuros olharem dentro de mim. Olharem muito para além dos meus. Se eu fechar os olhos sinto os teus lábios beijarem os meus, como se todo o meu ser te pertencesse.
Quando chego a casa do trabalho, depois de mais um dia terrível, só me apetece falar contigo. Resisto à tentação de te enviar uma mensagem, de saber de ti. Resisto à vontade de querer ficar horas a fio a falar contigo, sobre tudo e sobre nada. Queria contar-te o meu dia, e contar-te de novo tantas coisas que já te contei.

Disseste-me uma vez que te conheço melhor que muita gente, mas não consigo acreditar que seja verdade, nem pouco mais ou menos. E aí ainda fico com mais vontade de te voltar a conhecer. De ficarmos perdidos nas horas, entre beijos e abraços, e acordarmos para a vida mesmo na hora do almoço.


Sinto-me bipolar. Tão depressa sinto raiva de ti como sinto umas saudades horríveis. Que me apertam o peito, me sufocam, que aceleram o coração.
Tenho inveja de toda a gente que ainda tem a sorte de fazer parte da tua vida. E apetece-me chorar.
O estrago que fizeste foi demasiado, eu nunca devia ter-te deixado entrar na minha vida. Foste o meu furacão Katrina, que chegou de forma inesperada, arrasou-me por completo e foi embora mais depressa do que chegou.
Estou bem enquanto não te lembro, enquanto não recordo os nossos momentos, as memórias dolorosas que me deixam um vazio enorme cá dentro.

Só queria conseguir fazer voltar o tempo atrás, ou falar-te de tudo isto abertamente, na condição de que a tua resposta seja a mesma que nos meus sonhos: “também tive tantas saudades tuas”.
Sinto que lidei com duas pessoas completamente diferentes. Ou como se nunca tivesse existido aquele Mágico, misterioso e cativante. Sinto que me magoaste de propósito, como se me tivesses a castigar por ser fraca.
Queria poder mandar-te uma mensagem, marcarmos um café, queria que pudéssemos finalmente ter a conversa que nunca tivemos, a conversa que me prometeste mas que nunca aconteceu.

Já passou mais tempo do que eu gostava, e mesmo assim ainda te trago comigo. Acredito que para ti já seja passado, que fui mais uma pessoa na tua lista, mas eu preciso do meu fecho. Preciso de fazer o meu luto, esquecer de ti, das tuas palavras e dos teus beijos, esquecer o quanto me querias, preciso que me morras. Confesso que imaginei castelos, quando na verdade tudo não passou de uma tenda à beira mar plantada. Confesso que quis ler nas tuas palavras mais do que um simples Sexo, mas acho que nunca irei deixar pensar no “e se?”. Não fui honesta comigo, nem com quem me rodeava. Se calhar nem contigo fui, ou nunca teria chegado a este ponto de sufoco.

É ridícula a forma como não me sais da mente, como sou constantemente assombrada por lembranças dos nossos momentos. E tenho tantas saudades tuas, porra! Não me consigo esquecer daquela noite, que me olhaste nos olhos, e me disseste “Que queres que te diga? Que gosto de ti? Sim, gosto!”. Como queria ter-te beijado! A noite estava gelada, eu tinha a alma gelada, e o teu beijo ia acabar com este inverno que se tinha instalado no meu coração. Queria-te (e quero-te?) tanto. Mas tive tanto medo. Ignorar era cada vez mais difícil, estava a por tanta coisa em risco, e mesmo assim era como se uma força imaginária apertasse o meu coração e me obrigasse a respirar apenas o teu nome. Rio-me de mim mesma ao lembrar das tuas mensagens, em que dizias que davas tudo para estar comigo, e agora nem és capaz de me cumprimentar… Se soubesses como isso me magoa. Como é que fomos de íntimos a desconhecidos tão rápido? Acho que nunca te entendi, e mesmo assim estou aqui, a sentir a tua falta. Deixou de ser só sexo para mim ao fim de pouco tempo, e eu não quis perceber isso, não quis admitir que estava a apaixonar-me por um playboy.

Já não posso desabafar com mais ninguém, porque simplesmente disse que estava bem, que já tinha passado e que me estava a cagar para tudo. Mas não estou. Eu não sei o que quero, não sei o que sinto nem que ‘merda’ provocaste em mim, mas hoje será a última vez. Hoje morreste-me, e eu não quero mais lembrar de ti. (Até daqui a umas horas)

sábado, 8 de novembro de 2014

Again and again

Mais uma vez aqui sentado, dedico-me as lágrimas e ás mágoas que abundam no meu peito. Vejo todos os dias um bocadinho de mim afundar-se numa pessoa que não sou, numa revolta daqui até à lua, um sentimento de medo e agonia interminável. Vivo assim, um dia razoavelmente bem, um dia péssimo, outro em luta de sobrevivência e outro dia já um um terço capaz de ultrapassar o obstáculo permanente no qual habito. Não vejo forma de isto acabar, de poder sorrir sem ter que esconder de todos que no fundo estou na merda, sempre estive e nunca ninguém foi capaz de perceber, talvez porque não deixo que ninguém perceba, actriz todos os dias, feliz 1 vez por ano. Tudo se complica quando eu (no meu melhor estado) não deixo que me pisem. Não faz parte do meu feitio, não deixo que tentem comandar a minha vida e os meus, não permito que me digam o que devo fazer quando quem mo diz és tu, uma pessoa sem escrúpulos, doente e afectada emocionalmente, uma pessoa ruim que prefere ver o mal dos outros ao revés do bem, mesmo que os "outros" não lhe digam nada, ou talvez lhe digam tudo. Uma coisa eu posso garantir, eu vou passar por cima de ti, pode não ser agora nem em breve, mas vou. Sempre fui mulher de palavra, e vou honrar-me a mim mesma. Não consigo acreditar como consegues ser assim, nos evolui-mos, crescemos, aprende-mos, e tu? Tu ficaste para trás, não acompanhaste e hoje consegues fazer com que os mais próximos sofram pelo que tu fazes e dizes. Os mais próximos... É relativo. É evidente que quando podias fazias o que querias, porque ninguém te consegue dizer que não, têm todos medo de ti. Medo de ti. Eu não imagino como me sentiria se pensasse só que os meus poderiam ter medo de mim, preferia passar para o outro lado depois da vida do que me sentir renegada. Tu não tens sentimentos? Posso responder por ti com toda a certeza deste mundo, NÃO, não tens sentimentos, nem sabes o que isso é ou onde se vende disso. O teu problema comigo? É muito simples, eu não tenho medo de ti. Nunca tive e nunca vou ter, por muitas ameaças que me faças por muitos "avisinhos", nunca vou ter medo. Os meus pais fizeram-me assim, destemida e de mangas arregaçadas para a vida, pronta a enfrentar qualquer obstáculo, senão vejamos, com muitos altos e baixos vivo nisto à 14 anos. Pus muitas vezes a minha vida em causa, é certo, mas mantenho-me aqui graças a um anjo do qual lhe chamo "avó", porque ele está a ver-me todos os dias, sabe o que passo todos os dias, nunca descansa para mim e sei que vai fazer qualquer coisa de bom com a minha vida, eu confio nele. E é a única pessoa em quem confio apesar de já não estar comigo em corpo. Todos os dias lhe peço para me dar mais um dia de força, para não me deixar desistir e acabar com tudo de uma vez, foi ele que tantas vezes sarou as minhas veias e me deu um beijinho nelas para que continua-se em luta numa batalha árdua, tantas foram as vezes que ele me fez isto que hoje vivo em função da sua ajuda, é ele que me mantêm viva. Vai ser por ele que vou lutar até ao fim.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


"Há dias em que me sinto vazia, como se um cansaço imenso e letárgico se tivesse instalado sem pré-aviso e me tolhasse o coração e o espírito. São dias em que acordar é pior do que ter um pesadelo e levantar-me da cama parece mais difícil do que atravessar o Atlântico a nado.
Manhãs submersas em recordações e saudades, a sonhar calada tudo o que quis e nunca tive, mais o que mereço mas ainda não alcancei."


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

pequeníssimo desabafo

Mais uma vez, aqui sentada, vejo este teclado um desabafo e estas letras um alivio para a minha mente. Encontro-me desamparada em todos os sectores que me acompanham. Já não vivo com um propósito, vivo apenas para existir e sim, para manter uma personagem em corpo viva. Quanto ao resto, já não «resta resto», sou apenas o corpo, a aparência, o exterior, as roupas bonitas e o cabelo esticado, o blush e os anéis da moda. Sou só isto. Trago comigo uma revolta de uma vida, o maior pedaço de mim amargurado, cada vitamina dentro de mim é um poluente para todos os seres que me perseguem. 

domingo, 27 de abril de 2014

Nothing at All

A vida prega-nos cada partida. Já tropecei tantas vezes e em nenhuma abri os olhos. Foste preciso tu para isso acontecer. 
Contigo aprendi que por vezes, é preciso levar-mos uma "chapada de luva branca" para aprender-mos e nos consciencializar-mos que nada é um mar de rosas. Aparenta ser, é verdade. Contigo aprendi que nada é o que parece. Contigo aprendi que as palavras mais sinceras ditas ao luar
se podem transformar nas palavras mais hipócritas e falsas, contigo aprendi a ter duas caras. A cara de menina, inconformista e sem perceber o porquê de uma questão de quilómetros estragar qualquer relacionamento, e a cara de mulher, valente, guerreira, capaz de perceber que um homem a sério jamais aguentaria um amor assim, resistente ao frio da cama, à erosão do tempo, ao inimigo chamado relógio, à ausência de uma presença sólida. Hoje, perante ti sou uma Mulher, perfeitamente capaz de suportar a falta disso tudo desde que compensada nos nossos momentos a dois. Porque tu, por muitos defeitos que tenhas (só passados meses desvendados) eras tão capaz de saber aproveitar cada instante, não era assim? Esta é uma questão que se bem explorada dava muito pano para mangas, nem vou entrar por aí. Hoje este post serve, única e exclusivamente para te criticar e humilhar, para tirar de mim um peso de cima dos ombros e sobrecarregar-te a ti. Durante estes meses todos nunca te preocupaste com o meu estado, nem como eu estaria sem ti, como estaria a lidar com a doença, com a escola, como eu estaria a gerir tudo, sem o teu apoio que seria fundamental. 
Eu caí, eu fiquei na merda. Eu rastejei por ti. Eu sujeitei-me por ti. Mas também sobrevivi. Não foi fácil como é evidente, mas agora penso, nunca mereceste tal consideração, não vales nada. Não és homem, não és nada. Rigorosamente nada. 
E o pior, sim, o pior é que ainda ocupas um bocado de mim. Não te amo, não gosto de ti, mas já foste tudo e assim sendo, vais significar sempre uma parte. Uma parte que eu gostaria de falar com orgulho e se algum dia tiver de te recordar vai ser com o maior desprezo. Faz o teu papel na sociedade, já não te resta muito mais. Trata bem a mulher com quem te identificas agora, fixa-te nas tuas ideias e cria objectivos, senão vais magoá-la e acabar sozinho, como acabarias se dependesse de mim. Mais uma vez a minha cara de mulher revolta-se perante ti, não mereces qualquer ingenuidade da minha parte, porque já a tiveste toda e desperdiçaste-a.

terça-feira, 1 de abril de 2014

"O Livro dos Loucos"

"Fazer o que te apetece é o que torna a vida apetecível.
Não receies o que desejas. Não abdiques do que sentes. Não desistas do que pensas. Não te consoles com prémios de consolação. Os prémios de consolação são um desconsolo. A euforia é orgasmo da alma. Há quanto tempo não te vens?"

"O Livro dos Loucos", de Pedro Chagas Freitas

domingo, 9 de março de 2014

for you, written for you

Não sei bem o que se passa, estou num ponto de ebulição incapaz de ultrapassar a dor da tua ausência. Explica-me porque foste embora assim, explica-me o porquê de ter sido assim, explica-me por favor. Não consigo andar para a frente sem respostas, não consigo sem ter tudo o que ficou para trás esclarecido, escuta, já lá vão quase seis meses e eu continuo a ouvir Expensive Soul, Bon Iver e até rap americano, isto é no mínimo grave. 
Tu sabes que quando se quer pode-se tudo, será que não queria tanto quanto eu? Será que falhei contigo? Estou inundada de dúvidas em relação ao que um dia tivemos e fomos, estou dentro de uma prisão dentro de mim que não me deixa seguir em frente. Não perdi qualquer tipo de sentimento por ti, ganhei apenas a saudade desse sorriso, dessa tua pele tostada do sol, desse teu jeito inconfundível e completamente incrível, saudade de tudo o que um dia tive e hoje caiu na tristeza de um milagre por um sinal teu. Estou completamente perdida, sem rumo nem direção, perdida em recordações, momentos passados, músicas, jantares, conversas... Porque tudo me leva a ti. Como é que será que estás? Será que foste capaz de abrir o coração a alguém depois de mim? Digo-te que se sim, fico feliz por ti, não tanto como se fosse eu nesse prestigiado lugar como é óbvio, mas desde que esse sorriso brilhe e a tua veia amorosa desperte só posso estar feliz. Sabes o que significava cada palavra tua? Cada sonido dessa tua voz tão cheia de atributos? Cada palavra bonita direccionada a mim? Era pura magia, era um misto de sensações boas que nunca antes tivera sentido, era o cheiro a praia misturado com a palavra perfeição a ser respirado e ouvido, era o maior motivo da minha felicidade, eu sabia que te tinha comigo por isso eu tinha tudo, mas quando digo tudo não me refiro a futilidades, eu tinha realmente tudo, tudo de ti. 
Lembraste das nossas anilhas de pássaro? Dos nossos colares/pulseiras cuja senhora a quem os/as compraste te contou uma história de amor idêntica à nossa? Toda essa história com o nome "Distância". E tu lembraste o que me disseste depois de ouvires essa história? "-Isto é só mais uma prova de que nós vamos conseguir, vamos nos amar sempre e um dia contar a nossa história aos nossos filhos", eu sorri e disse que acreditava nisso e que o amava. Pudesse eu ter lido o futuro. Saudades enormes de sentir o vento da praia na cara contigo atrás de mim abraçar-me, saudades enormes das nossas conversas mais sinceras ao luar da noite a iluminar o mar, saudades enormes de tudo o que um dia fomos. Amo-te. 

domingo, 24 de novembro de 2013


Se me conhecesses saberias que me incomoda bastante quando está frio e que tenho sempre as mãos geladas, saberias que quando fico nervosa ,as frases saem mal construídas e que digo coisas sem sentido, ias de certeza reparar que a primeira coisa que faço quando chego a casa e descalçar-me e ir ao frigorífico, e que entrelaço sempre as pernas nas cadeiras para me conseguir sentar como deve ser. Ias notar pequenos detalhes como eu me agarro ao telefone por tudo e por nada as vezes só para ver fotografias, ias notar que dou muito valor a coisinhas pequeninas ou pequenos gestos que chegam perfeitamente para me por a sorrir e que a mínima palavra que digas com maldade me pode magoar e deixar-me semanas a pensar. De cor poderias dizer que sou de extremos que o meu olhar diz tudo e que nunca digo o que realmente penso ou sinto.
Notavas de certeza que prefiro não ver e não saber das coisas porque prefiro viver na ignorância do que no sofrimento.Finalmente ias começar a perceber que quando retribuída dou tudo de mim e que sou mais forte do que pareço, já que a minha força cresce das atitudes. 
Na incerteza fica o dia que poderás confirmar tudo isto.